A MELODIA DA CRIAÇÃO

“No princípio, criou Deus os céus e a terra”, assim, começa o livro de Gênesis; e assim, começa o Universo e tudo o que nele existe. O capítulo primeiro de Gênesis é compassado por uma poesia impregnada pelo poder da criação, quase se pode ouvir a canção ritmada pelos versos e repetições:

*“No princípio, criou Deus... Haja luz/ houve luz... e viu Deus que era bom... houve tarde e manhã... Haja firmamento/ Fez-se o firmamento... houve tarde e manhã... e viu Deus que era bom...

[...]*

Viu Deus tudo o que fizera, eis que era muito bom...” O som que ressoa em cada verso da poesia de Gênesis 1 é como a canção da criação que, melodicamente, atende aos gestos de seu Maestro que cria e se deleita na harmonia do seu coral. O louvor afinado da criação ao Criador nesse capítulo dá o ritmo aos nossos corações, nos levando ao lugar o qual pertencíamos antes de perder o tom com o desafino do pecado. Algumas vezes, quando nos calamos para ouvir o “silêncio” orquestrado da natureza, quase podemos perceber um sussurro no nosso coração que expressa um convite subjetivo, da ordem criada, para adorar ao Criador (Rm 1:20); é como se o poder manifesto de Deus atraísse nosso coração a louvá-Lo. No entanto, algumas vezes, nossa voz desafina, nosso coração se abate, e a canção “lá de fora”, revelada na beleza da obra de Deus, é suprimida pelos barulhos “daqui de dentro”, em uma alma que se desarranja no próprio pecado; são gritos de dor e de sofrimento; soluços de angústia e de desalento; que muitas vezes ecoam dentro de nós, e desafinam a nossa voz, nos impedindo de cantar. Mas, ainda assim, podemos sentir em nós um desejo, o desejo de fazer parte do coral, de recuperar o tom, de não só estar apto a contemplar a melodia, mas de acompanha-la harmoniosamente com a nossa própria voz, de fazer parte da beleza, e não só admirá-la. Gênesis começa com o começo de tudo, e dessa forma, nos ensina sobre a soberania do Maestro; que nos revela à imagem de quem somos e o lugar ao qual pertencemos na criação, ao passo que nos afina, até a voz que enfim dirá: “Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.” (Ap. 21:6) e então poderemos nos unir ao coral em tom perfeito e cantar: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3).

Se renda a Cristo para que ele seja o tom da sua voz, é ele quem restaura as cordas vocais da nossa alma para que ela cante a canção perfeita.

Cristiano Gonçalves